28/12/07

Reinventar o Natal

Duas grandes questões:

  • Porque é que os doces de Natal têm de ser todos fritos?
  • Porque é que insistimos em dar presentes no dia 25, quando os saldos começam a 26?

Para o ano, vou reinventar a tradição...
Para sobremesa, vou servir torta de chocolate com recheio de menta, profiteroles, ou quente e frio. Ainda não decidi, mas a tradição vai passar a ser qualquer coisa com chocolate, de certeza.
Quais fatias douradas, quais filhós, qual quê!

E a troca de presentes com a família vai ser no dia de Reis. Além de ser muito mais lógico, é melhor para a carteira.

O que me dizem?

27/12/07

Resoluções de Ano Novo


É quase impossível resistir à tentação parva de fazer uma lista de resoluções para cumprir a partir do dia 1 de Janeiro. Ser melhor é um objectivo louvável, mas torna-se pouco convincente, quando é sistematicamente estabelecido como meta a cada ano novo e depois esquecido, ou mesmo descartado, daí a um mês ou dois, quando já ninguém se lembra do que andámos a dizer, se por acaso cometemos a imprudência de o tornar público.

Mas eu, como sou uma pessoa extremamente imprudente, incontida e ingénua, vou fazer aqui a minha lista, para que todos os que quiserem me possam puxar as orelhas, assim que eu me esquecer do que era minha intenção mudar em mim, a partir das 0 horas do primeiro dia de 2008:


a)
Ser melhor ouvinte. Não interromper as pessoas quando estão a contar-me alguma coisa, com o meu vício terrível de tentar adivinhar o que vão dizer a seguir. Ouvir mais, falar menos. Eu preciso.

b) Ser menos stressada. Sobretudo, não começar a entrar em paranóia apenas porque há coisas desarrumadas em casa, vou ter de fazer uma sopa, ou o cotão já começa a aparecer nos corredores. Contar até dez, sorrir, visualizar uma cena cómica, vale tudo, para me acalmar, quando estou em vias de me stressar.

c) Ser menos queixosa. Tenho emprego, não tenho doenças graves e os meus filhos são felizes e saudáveis. Lembrar-me disso, sempre que me preparo para me lamentar por causa de alguma coisa insignificante. Parar de dizer “que chatice” por tudo e por nada.

d) Ser mais divertida. Já fui! Porque não recuperar essa faceta que era tão positiva em mim? Toda a gente adorava ouvir-me contar anedotas... bons tempos! (Agora elas circulam pela net e rimo-nos sozinhos, virados para o monitor. Depois, quando tentamos partilhá-las com alguém, transformando-as em anedotas à moda antiga, os outros fazem um sorriso amarelo e dizem: «também já li essa.») Vai dar trabalho, mas preciso de reaprender a fazer rir os outros e a rir-me com eles. Sabe tão bem!

E chega, porque quanto mais resoluções fizer, menos provável é conseguir levá-las a cabo. Agora, respirar fundo e... entrar no Ano Novo como quem entra numa vida nova!

21/12/07

Desconcertante

Mãe - Tu achas que o Pai Natal não está ver, quando te portas mal?

Mecas - Acho...

Mãe - Mas olha que ele vê tudo, ele está em todo o lado ao mesmo tempo, é como Deus... não é uma pessoa!

Mecas - Então é o quê, um camelo?

19/12/07

Feita num 8

Tenho a cara em obras, mas não pode encerrar!
Tenho comichão, mas não ajuda coçar.
Tenho as pálpebras inchadas, estranhas, encarnadas,
olheiras fundas, a pele a picar,
parece que pus a cara dentro de uma bacia
com ácido, ou coisa assim... nada me alivia.
Experimentei água de rosas, cremes, enfim,
nada adianta, estou há três dias assim.
Ando de óculos escuros, mas logo por azar,
está o céu tão cinzento e a chover sem parar,
só chamo a atenção, em vez de disfarçar.

17/12/07

O que fazer com a agressividade

Não a reprimir. Sobretudo, não fingir que sou tranquila e que estou em paz.
Lidar com ela. Deixar-me explodir, em privado, sem causar estragos. Observar-me, enquanto a tensão se alivia e se transforma em nada.
Apaziguar-me, quando a raiva se dissipa, como uma chama apagada.

12/12/07

SER ADULTA

Nunca vos aconteceu questionarem-se, num assomo de lucidez, sobre a essência de SER ADULTO? O que é que nos torna adultos e, sobretudo, QUANDO nos tornamos adultos? É de um momento para o outro, na data exacta em que supostamente acaba a nossa adolescência - digamos, no dia em que fazemos 18 anos? Ou será num dia impossível de prever, em que nos acontece uma experiência digna de nos amadurecer num só momento? Ou será um processo gradual, entre o dia x e o dia y da nossa vida? E quando isso acontece, o que nos define como adultos?


Eu, que até tenho muito que fazer, mas que aproveito todo o tempo possível para pensar (antes de adormecer, enquanto passeio o cão ou dou de mamar, durante os minutos em que estendo a roupa ou as horas em que cozinho... enfim!), penso nisso de vez em quando e, até agora, não cheguei a uma resposta satisfatória. No entanto, cheguei a algumas conclusões, que aqui partilho convosco, quanto aos aspectos da minha existência que, mais claramente, indicam que já lá cheguei.


Concluí que sou adulta porque:

a) Deixei de querer fazer anos

b) Sinto que não devia sair à rua sem me maquilhar

c) Já não tomo conta de crianças apenas quando alguém me paga para isso, ou quando me apetece

d) Tenho vergonha de ser observada por adultos quando estou a tentar brincar

e) Chego à conclusão de que já não sei brincar

f) Descubro que já não corro há anos

g) Fico a arfar, cada vez que corro durante alguns segundos

h) Há partes do meu corpo que abanam violentamente quando corro, e que me fazem ter consciência de que não devo correr à frente de ninguém

i) Já não faço coisas porque sim, mas apenas coisas que se justificam

j) Me coíbo de dizer grandes verdades, em nome da boa educação

k) Não tenho nada para comer, se não comprar ou cozinhar alguma coisa

l) Não posso sair de casa sem levar a chave

m) Vou ter contas para pagar nos próximos 40 anos


Resumindo, ser adulta é uma tristeza. Onde é que se pode fazer inversão de marcha nesta estrada?

05/12/07

O Pai Natal e eu


Na nossa sociedade, é quase impossível não ir na onda de dizer às crianças pequenas que o Pai Natal é que traz os presentes. Enquanto eles estão nessa idade em que querem e gostam de acreditar nisso, quem são os pais que lhes negam o prazer de viver essa fantasia, uma vez por ano? Quais são os adultos que têm coragem (e paciência) para contrariar o espírito incutido pela televisão, pelos amigos, pela escola, pelos familiares, pelos vizinhos, por quase toda a gente que fala às crianças nesta época?

Eu não tenho. E acho que já nem as avós cristãs que tentam repor a autoridade do Menino Jesus nessa matéria conseguem competir com o Pai Natal. E afinal, se ele é inspirado na figura histórica de um bispo altruísta que quis oferecer dotes às três filhas de um homem pobre sem ser visto, o Pai Natal é muito mais cristão do que a muita gente pensa. Nesse sentido, até é um homem bom, um exemplo inspirador. Uma vítima, como nós todos, do consumismo desenfreado em que nos afundamos cada vez mais.

Mas o Pai Natal tem uma coisa que me irrita profundamente: é fazer com que a minha filha pense que eu e o pai não lhe damos nada no Natal. Como somos nós que nos ocupamos de lhe satisfazer os desejos, que ela cuidadosamente regista e manda numa cartinha a esse velho bondoso que vive no Pólo Norte, não nos sobra margem financeira (nem criativa) para arranjar mais alguns presentes que lhe possamos dar, além dos que ela pede ao Pai Natal. Resultado: ela acaba por concluir que esse ilustre desconhecido é mais querido para ela do que os próprios pais. Ora, isso parece-me uma injustiça má de mais para ser mantida dentro destas quatro paredes!

Portanto, este ano, quando fui acusada de não ser tão boa como o homem invisível, tratei de dar a volta à situação. Inspirei fundo e expliquei à Mecas a grande verdade: que o senhor de vermelho é realmente muito simpático em trazer até cá, magicamente, os brinquedos que os duendes fazem a pedido das crianças. Mas que – E ESTE É O FACTO QUE MUITAS CRIANÇAS DESCONHECEM – os pais recebem depois a factura para pagar. Porque ninguém trabalha de graça e o Pai Natal não é excepção!

Má companhia



Quem, como eu, tem uma “personalidade forte” (eufemismo para mau feitio), já terá chegado à mesma conclusão a que eu chego muitas vezes: somos injustamente mais simpáticos para os desconhecidos do que para as pessoas que nos são mais próximas – o que é lamentável.

As pessoas que nos aturam todos os dias, que gostam de nós, que nos amam apesar dos nossos defeitos, são, naturalmente, as que mais merecem ser tratadas com carinho, respeito e boa educação. Mas em vez disso, porque nos sentimos à vontade com elas, levam com a nossa teimosia, a nossa antipatia e a nossa má criação.

É raro, mas às vezes acontece: dou por isso e arrependo-me. Envergonho-me. Apercebo-me de que, no fundo, para quem vive comigo, sou má companhia. Não tenho aquela graça, aquela amabilidade, aquelas qualidades que os ingénuos (que me conhecem mal) pensam que eu possuo.

E então faço um esforço por ser boa companhia - o que, por incrível que pareça, significa, de certa forma, fingir que mal conheço a pessoa que está à minha frente.